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  • Sérgio Martins

Craca: "Vou buscar outros meios de atingir as pessoas"


Felipe Julián, o Craca, é DJ e artista visual. Seus principais campos de atuação estão nas instalações, performances sonoras ou audiovisuais e videomapping. Na ativa desde 2013, Craca, que está lançando o single/vídeo de Afflection/Reflection, conta que o tempo de reclusão o tem auxiliado em suas novas produções e dá dicas até de música para fazer uma faxina inspirada. Em Canções do Confinamento, DJ Craca.


O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

Ando ouvindo muita coisa e procurando experiências novas. Mas uma constante aqui em casa são os africanos Keita, Kouyate, Traore, e não necessariamente o nome mais conhecido de cada um desses sobrenomes. De noite tem rolado as imbatíveis Billie Holliday e Ella Fitzgerald. Tem horas que escolho um Avishai Cohen Trio e não para de rolar as musicas novas que estou criando sozinho que minha parceria Sandra-X toca e canta lindamente no piano da sala. E na hora de fazer o exercício tem que botar umas coisas animadas mesmo. Eu tenho uma playlist de árabes e africanos que queima gordura que é uma beleza. Tem Orchestra Baobab, Oumou Sangaré, Imarham, Amadou & Mariam, Dur-dur-Band, Omar Souleyman e, por fim, Alsarah & the Noubatones. Este último recomendo com todas as minhas forças a quem estiver atrasado com a faxina.





Você ainda encontra inspiração para produzir ou se dedica a outras atividades?

Olha… esta situação, no meu caso, tem um lado muito bem vindo. De certa forma, a correria do mundo lá fora atrapalha bastante a concentração artística. Compor no mundo contemporâneo é um ato de resistência. Mais do que isso: ser artista é uma subversão ao que o mundo espera da gente enquanto força de trabalho. O que está acontecendo neste momento é que, apesar da correria de cuidar da casa, da filha, dos parentes, dos amigos e das pessoas que estão precisando de socorro, o tempo que resta está podendo ser dedicado à arte como raras vezes me é possível.

Consegui, portanto, reabrir uma série de oito composições musicais que estavam praticamente paradas desde janeiro passado. Estou ajudando minha parceira Sandra-X a produzir algumas musicas dela e sigo trabalhando remotamente com outros artistas cujos discos estou mixando aqui em meu home studio que sempre foi meu home-office. E uma coisa legal que passei a fazer é ministrar virtualmente um curso de produção musical onde os participantes pagam o quanto puderem a alguma das campanhas de redução de danos que eu sugiro numa lista. Enfim, sigo.



O período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

Olha… vai afetar tudo. Inclusive minha maneira de compor. Mas minha maneira de compor já era meio que através do isolamento social. Eu acho que, mais do afetar a minha técnica composicional, a quarentena vai afetar o que eu passo a fazer com cada obra nova criada. Antes, eu pensaria prioritariamente em como viabilizar essa nova composição ao vivo, num show. Agora, estou tendo que considerar o fato de que minha obra precisará encontrar outros meios de chegar às pessoas. Os lives em redes sociais são legais, mas não transmitem tudo o que eu ofereço num show. Assim, estou pensando e pesquisando o que fazer a partir desta nova realidade do suporte. E isto, necessariamente, vai refletir no conteúdo.  

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