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  • Sérgio Martins

Konai: "A liberdade nunca fez tanta falta"


Vitor Portela dos Santos, o Konai, é uma das apostas do universo pop e hip hop nacional. Nascido em São Paulo, mas criado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ele é incluído no mesmo patamar de uma Billie Eilish, revelação do pop internacional. Konai faz canções tem apelo popular, mas de clima tristonho (as chamadas "sad songs"). É o caso de Te Vi na Rua Ontem, sua música de maior repercussão, que tem quarenta milhões de views no YouTube e ganhou diversas releituras intimistas. Em Canções do Confinamento, o jovem rapper/cantor se espanta com o clima de distanciamento atual, fala da banalidade das relações e comenta que tem escutado música para "fazer pensar". Com vocês, Konai.



O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

Eu tenho ouvido muito 6lack, Fkj, PinkFloyd, umas paradas mais pra "fazer pensar", sabe? Um amigo me indicou e eu tenho mantido esse habito de todo dia escutar uma ou duas horas de música que eu não conheço, principalmente nesse momento de quarentena acho foda exercitar a criatividade e adquirir o máximo de informação que conseguirmos. Tanto tempo livre da pra ser convertido em muita coisa boa (isso em paralelo com momentos de encontro consigo mesmo claro, já que pra quem tem condições acho importante dar uma acalmada nos ânimos e pra quem não tem, faze-lo ma medida do possível).



Você ainda encontra inspiração para produzir ou se dedica a outras atividades?

Com ou sem confinamento livros sempre me ajudaram a compor. Amo audiolivros de filosofia/psicologia também. Eles me ajudam a colocar a cabeça no lugar mesmo que seja complicado manter um ritmo de produção no contexto "confinamento". Tem tanta coisa louca acontecendo lá fora e a nossa cabeça fica se contorcendo pra entender.


O período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

Penso eu que não só vai agregar na minha forma de compor mas também na forma de lidar com as pessoas. Minha geração em específico nunca passou por uma situação assim, querendo ou não estamos tendo que ver as coisas de outro modo, sentindo outros tipos de vontades... Imagina, não poder sair, abraçar, se aglomerar como a gente tanto gosta. Mas o ser humano é totalmente dependente de sociedade não dá para negar. Tanta informação que vai e vem, gente que vai e vem, sempre fizeram com que a gente se sentisse sozinho mesmo que no meio das pessoas. Tudo muito corrido, decisões tendo que ser tomadas... Sinto que banalizou um pouco as relações, um mundo inteiro acontecendo e a gente se esquece do valor real da existência, até mesmo quem não pode ficar em casa está tendo que lidar com o medo do desconhecido, todos estamos aprisionados agora, os que não por casas ou apartamentos, por medo e a falta do que nos é possibilitado de mais bonito pela consciência : liberdade. A liberdade nunca fez tanta falta e sinto que sim, vai refletir na forma de todos vermos o mundo e as pessoas.



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