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  • Sérgio Martins

Marisa Brito: "Música é fundamental para a minha sobrevivência"


O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

A música tem sido minha grande aliada para passar por esse período de maneira mais branda. Emocionalmente passei por diferentes fases nessa quarentena e cada uma delas veio acompanhada de uma vontade de ouvir diferentes tipos de música. Os discos que mais ando ouvindo são Verde Anil Amarelo, Cor de rosa e Carvão, de Marisa Monte; Mafaro, de André Abujamra, e Vitor Ramil e Marcos Suzano. Também ando ouvindo bastante Yael Nain… Percebi que nesse período ando resgatando muitas lembranças da minha infância e elas sempre estão acompanhadas de música… voltei a ouvir muito Gilberto Gil e Caetano Vekisi (os que mais ouvia quando criança). Ando acompanhando os shows online tanto de artistas já consagrados quanto de artistas independentes, meus colegas e to achando maravilhoso esse movimento: Importante tanto pra nós artistas quanto para o público! Essas lives trazem um alento para os nossos corações.

Além disso, também entrei na onda das playlists. Eu fazia pra ouvir de acordo com as fases que estava passando, depois veio a ideia de compartilhar isso com as pessoas que seguem meu trabalho e fiquei surpresa com a receptividade. Lancei a primeira com o tema CORAGEM, pois na primeira fase sentia medo toda hora. Selecionei músicas que tinham esse tema e que me traziam energia, e essas canções me ajudaram muito. Na segunda fase senti necessidade de mais calmaria e fiz uma nova seleção com o tema LEVEZA, que também deu muito certo. Durante a  construção delas conheci novos artistas, relembrei historias, e constatei mais uma vez como a música é fundamental para minha sobrevivência.




Você ainda encontra inspiração para produzir ou se dedica a outras atividades?

Na primeira semana de isolamento me cobrei muita produtividade e acabei ficando estressada. Depois entendi que precisava respeitar o que sentia. Me dei um tempo sem pensar nisso e naturalmente a vontade de voltar as produções foi surgindo. Estava finalizando meu novo álbum quando veio a pandemia e ando muito empolgada com ele. Então nos últimos dias voltei a trabalhar nisso e a repensar o plano de lançamento. Decidi lançar primeiro três singles desse álbum e só depois ele completo, até porque, muitas músicas ainda não estão com a voz oficial gravada e não sei quando será possível fazer. Enquanto isso, to a todo vapor fechando o lançamento do primeiro single, que se chama Suspiro de Gin. Não vejo a hora de colocar esse trabalho na rua, fruto de uma fase bem diferente da minha forma habitual de compor. O disco se chama Noturna.

Além disso dedico boa parte do meu tempo no auxílio da produção de outros artistas, com meu trabalho de direção e preparação vocal. 


O período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

Ainda não consegui compor nenhuma música nova durante a quarentena. Não sei se pelo caos geral e pelas preocupações ou se simplesmente pelo fato de estar muito focada no novo disco. Eu sou virginiana rsrs então eu preciso estar focada numa coisa de cada vez.

Mas pessoalmente esse período tem me trazido muitos elementos mentais novos, inspirações, reflexões e resgate de memórias, então inevitavelmente em algum momento tudo isso será combustível pra novas canções. Apesar de não estar criando música, meu lado criativo não está parado. Pelo contrário, eu estou usando ele para outros detalhes do meu trabalho, que vão além do musical, por exemplo, terei que fazer novas fotos de divulgação sozinha (será tudo auto-retrato), criarei o conceito visual e de maquiagem, e isso é novo pra mim e me deixa empolgada! Vejo tudo isso como composição. E acredito que sairei dessa fase me sentindo mais confiante  e uma artista mais completa, pois sempre tive muitas idéias pra outras coisas e não as colocava em prática por sempre acreditar que outras pessoas fariam muito melhor do que eu. É óbvio que adoraria ter outros profissionais trabalhando nisso comigo, mas o período me força a ser criativa ou parar. Decidi ser criativa e continuar tocando o barco. Se vai funcionar, não sei rsrs mas quero correr o risco. Quanto as canções, tenho certeza que essa experiência difícil que estamos vivenciando irá se reverter em novas melodias e quem sabe não se torna o próximo disco, né? Não sei pra que lado vai sair… só o tempo vai me mostrar.



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