Buscar
  • Sérgio Martins

Matthew Caws: "Quero dominar minha geografia interior"


O grupo americano Nada Surf está na lista dos melhores shows que assisti: Bowery Ballroom, em Nova York, no ano de 2012. Eu esperava variações de Popular, hit que eles emplacaram nos anos 90, e assisti a uma banda firme, com influências que iam do Kinks ao power pop de bandas como Big Star, e uma performance incansável. Meses depois, eles vieram ao Brasil e deram o ar de sua graça no VEJA Música, programa que comandei de 2008 a 2019. Foi um daqueles momentos em que a gente exclama "life is good". O baixista Daniel Lorca contou a respeito da produção do disco da francesa Coralie Clement, o baterista Ira Elliot explicou o funcionamento da linha vocal de Crosby, Stills & Nash e Matthew Caws... bem, Matthew Caws é a doçura em pessoa. Na cozinha do estúdio YB, na Vila Madalena, em São Paulo, lembrou do tempo de jornalista musical, quando se deparou com um Noel Gallagher monossilábico, que após a entrevista ficou falando animadamente sobre guitarras, de como a música é importante na sua vida. Um sujeito especial. E até hoje me arrependo de a gente não ter conseguido gravar a introdução de Silver, do Echo & the Bunnymen, que eles tocaram de brincadeira - mas não se sentiram seguros para registrar.

O Nada Surf tem uma discografia consistente. Nunca mais tiveram um hit à altura de Popular, mas cada álbum lançado é uma coleção de canções para acalentar a alma. O meu predileto é Stars are Indifferent to Astronomy (2012), que fala justamente da chegada da idade adulta. No ano passado lançaram Never Got Together, outro trabalho de pop e rock de qualidade, no qual destaco Looking for You, uma canção de amor de encher o coração. Com vocês, Matthew Caws no Canções do Confinamento.




O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

Atualmente, estou escutando U-Becoming, novo disco do J Robbins. Ele era integrante de uma grande banda chamada Jawbox, com quem o Nada Surf excursionou em 1998. Mas ele depois passou por outras bandas muito boas também.



Você ainda encontra inspiração para compor ou tem se dedicado a outras atividades?

Não tenho escrito muita música, não... Eu tenho passado um bom tempo (Ok, todo o tempo) com a minha família. Mas a gente começou a distribuir melhor o dia, então procuro passar algumas horas no meu estúdio. No momento em que estamos trocando mensagens, eu fico checando meus emails, mas olho com carinho para as minhas guitarras e penso nelas. Sim, eu toco de vez em quando e penso em compor um novo material. Tudo a seu tempo.





O período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

Bem, estou muito curioso para saber como meus textos vão ser afetados. Acho que deve me impulsionar mais na direção em que eu estava indo, tentando descobrir/dominar minha geografia interior para aprender a ajudar mais as outras pessoas.



55 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo