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  • Sérgio Martins

Pedro Vulpe, expert em criar a partir de experiências pessoais


O catarinense Pedro Vulpe tem uma trajetória singular. Apaixonado pelo filme Once - Apenas uma Vez, estrelado pelo casal Glen Hansard e Marketa Irglová, ele se mudou para Dublin, na Irlanda, a fim de absorver o folk local. Passou um tempo na Grafton Street, cenário dos músicos de rua locais, até que um acidente doméstico o trouxe de volta para o Brasil. O "estrago", contudo, estava feito. As composições de Vulpe trazem muito do folk rock daquela região, abrilhantadas pelo seu vocal suave. Seu single mais recente, Trouble, foi lançado pela Warner Music, que aposta em seu talento. Com vocês, Pedro Vulpe, o conviado de hoje do Canções do Confinamento.

O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós? Tenho apelado para a santíssima trindade do Billy Joel (Turnstiles, 52nd Street e The Stranger), o despojamento e a sofisticação dos álbuns é uma justa fuga em um momento com esse que atravessamos. Da mesma forma que tenho meu refúgio garantido com o Lô Borges Tênis+Clube, adoro como esse ao vivo soa. Confesso que não deixei de escutar o disco do ano passado do Nick Murphy, Run Fast Sleep Naked, e a colaboração dele com a The Royal Swazi Spa: eram minha constante trilha do metrô e hoje uso pra “viajar” enquanto lavo a louça. E assim como muito de nós aproveitei para colocar alguma pendência em dia, sentia uma dívida com a Joni Mitchell e tenho revisitado o Both Sides Now.





Você ainda encontra inspiração para produzir ou se dedica a outras atividades? Tentei não me cobrar diretamente com produção enquanto focava na adaptação à rotina imposta, na paternidade e a busca por soluções artísticas veio de forma natural e gradativa nessas semanas de quarentena. E de uma forma inesperada a busca por essas “soluções” para contornar a forma remota com que temos que lidar com colaboração, interação, criação de conteúdo, ampliou criativamente oportunidade para os próximos meses.

O período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor? Meu primeiro EP, de cinco anos atrás, foi diretamente composto baseado em experiências pessoais. Já o Move (2020) é parte de um processo de anos recentes acrescentado muito de leituras e cinema; essas atividades e referências seguem como material de trabalho e confio que esse foi um processo de maturidade. A maneira em si, a “mecânica” de eu começar uma canção pela melodia, eu acredito que não seja afetada pelo período. Mas talvez ainda seja cedo para dizer como vamos absorver e se irá refletir na nossa arte.





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