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  • Sérgio Martins

Tatá Aeroplano: "Esse período mudará muita coisa na gente"


Um dos principais compositores da nova cena da MPB Tatá Aeroplano estava no meio do processo de lançamento de Delírios Líricos, seu novo álbum, quando foi surpreendido - como todos nós - pela pandemia de Covid 19. Esperou um tempo para processar essa pausa forçada, mas agora usa o confinamento para compor e escutar os artistas que admira. Tatá é compositor de múltiplas utilidades. Eu gostava de dois projetos: o Jumbo Elektro, um combo de música eletrônica que cantava em embromation, e o Cérebro Eletrônico, com suas influências do tropicalismo. Gosto também de sua carreira solo, repleta de belas melodias e interpretações delicadas. Tatá me lembra também uma tarde deliciosa no Sujinho, restaurante de São Paulo, onde falamos de sua carreira e ele me contou de sua admiração por Raul Seixas e Itamar Assumpção. O talentoso - e generoso, vide a quantidade de artistas independentes como ele que cita e indica - Tatá Aeroplano é o segundo convidado da série Canções do Confinamento.





O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

Na primeira semana sem sair de casa, não consegui escutar quase nada. Mas depois de um tempo, a música chegou com tudo. Comecei a escutar muitos sons nesse período durante as caminhadas pela casa, rolando discos que não escutava há tempos e sons novos indicado por colegas. Estou escutando música todos esses dias:  Phill Zr, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Anelis Assumpção, Lara Aufranc, Jimi Hendrix, Nelson Coelho de Castro, Juliano Gauche, Karina Buhr, The Kinks, Sérgio Sampaio, Maria Bethânia, André Prando, Dani Vi, The Doors, Love, Tom Zé, Gustavo Galo e Ozorio Trio.







Você ainda encontra inspiração para produzir ou tem se dedicado a outras atividades?

Estou preparando o lançamento nas plataformas digitais do novo álbum, chamado Delírios Líricos. Quando pego o violão, vou tocando as canções novas que estão nesse disco. Aproveito também para tirar sons de artistas que gosto, como Sérgio Sampaio e Tom Zé. A inspiração vem vindo aos poucos. Semana passada comecei uma parceria com o  Bode Bodão, amigo, músico e DJ. Ele me enviou uma levada no violão com acordes muitos bonitos e comecei a colocar uma melodia com letra. Estou ainda finalizando uma parceria com o músico e compositor André Mourão, que colocou melodia, letra e música a partir de um texto que publiquei ano passado no Facebook.

Continuo lendo bastante e tive muitos sonhos crônicas. Quando acordo e lembro deles, registro na hora num caderno de anotações.




Você acha que esse período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

Esse período vai mudar muita coisa na gente. Eu sinto que as canções estão sendo criadas no inconsciente para chegarem mais pra frente. Nos últimos discos algumas músicas chegaram com uma nova maneira de tocar com letras existenciais, um sentimento ancestral. Tudo vai se misturar quando as novas canções chegarem.


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