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  • Sérgio Martins

Vida longa a Ellis Marsalis


Uma das minhas histórias prediletas de Ellis Marsalis me foi contada pelo jornalista e documentarista Lolis Eric Elie. Autor de Faubourg Tremé: the Untold Story of Black New Orleans (filme que o credenciou para se tornar roteirista do seriado Tremé, da HBO), ele chegou a trabalhar como tour manager de Wynton e era próximo da família. Segundo Elie, o pai de Wynton, Brandford, Delfayo e Jason defendia que o segredo da música de Nova Orleans ser tão espetacular (mais essencial que a água, eu diria) estava no fato da cidade abrigar mais católicos do que protestantes. Sendo assim, o músico poderia pecar de segunda à sábado porque sabe que seria perdoado na missa de domingo.

Nunca fiz a conta de quantos protestantes e católicos habitam aquela cidade. Contudo, poucas experiências me aproximam tanto de Deus quanto o toque de piano de mr. Marsalis. Elegante, com um pé no blues e outro no clássico, sem nunca atrapalhar o companheiro de solo - mas que sempre acaba brilhando sobre todos os outros instrumentos. Melhor do que lamentar sua morte, vamos celebrar sua vida. Love Songs, Ballads and Standards, gravado em parceria com o trompetista Irving Mayfield, é um sobrevivente. O material se perdeu na inundação que destruiu a cidade logo após o furacão Katrina, em 2005. Mayfield achou as demos originais em seu iPod e as revitalizou com alguns arranjos orquestrais e um naipe discreto de metais. É um disco saboroso, onde se pode apreciar o solo do Marsalis pai em Round Midnight, o dueto dele com Mayfield em Yesterday e uma versão arrebatadora de I Don't Know Why, sucesso de Norah Jones. Vida longa a Ellis Marsalis.



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