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  • Sérgio Martins

Zé Renato: "A música vai sobreviver"


Em janeiro deste ano eu assisti, ao lado de pessoas muito queridas, a uma apresentação do Boca Live no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Há tempos que eu não os via ao vivo, embora tenha devorado seus discos na adolescência e na idade adulta. Foi como rever um velho amigo, mas cheio de histórias novas ao invés dos mesmos causos de sempre. O Boca Livre tem um novo - e ótimo - disco, chamado Viola de Bem Querer, e canções como Quem Tem a Viola ganharam arranjos renovados. Na semana seguinte, foi a vez de bater um papo com Zé Renato, vocalista principal do quarteto, que também estava com um novo lançamento. O Amor é um Segredo é uma delicada homenagem a Paulinho da Viola e se tornou um show igualmente belíssimo, que estreou no final de janeiro no Sesc Bom Retiro, também em São Paulo. A conversa com Zé Renato, uma das figuras mais talentosas, inteligentes e simpáticas que conheci, certamente será publicada a seu tempo. Por enquanto, vamos a esse saboroso papo na série Canções do Confinamento.

O que você anda escutando nesse período tão estranho para todos nós?

A trilha tem sido variada, porque a gente fica aqui concentrado em atividades domésticas. Nesse momento, ela tem vindo de playlists, discos que eu não ouvia há muito tempo ou outros que jamais tinha escutado. Tem uma playlist da gravadora ECM (especializada em jazz e música erudita), muito tranquila, que funciona perfeitamente no café da manhã. Ontem, enquanto lavava pratos, escutei Frank Sinatra e Nat King Cole. Fiz um playlist do Sting para produzir uma live com canções del e assisti Caravanas ao Vivo, do Chico Buarque, que passou recentemente.

https://open.spotify.com/playlist/0vWR0UDQrVFtTo03TN3F0L





Você ainda encontra inspiração para produzir ou se dedica a outras atividades?

A inspiração nunca morre, ela é mais forte do que a gente. Ela acaba chegando e a gente não tem muito controle sobre as ideias que me vêm: eu acabo de alguma forma registrando ou sendo "provocado". Outro dia mesmo a Bianca Gismonti me falou de um festival organizado por um músico argentino, que está acontecendo no Instagram. Chama-se Canción Minuto e todo sábado é dada uma palavra chave para que os autores componham uma canção de um minuto e postem no Instagram deles. No último sábado, eles sugeriram a palavra "início". O Juca Filho me mandou uma letra, que eu musiquei imediatamente, gravei e postei lá. Ações como essa, nesse momento, irão acontecer cada vez mais.

Tem ainda as lives, onde eu apareço com assiduidade. Recentemente vi até uma postagem da Joyce, onde ela dizia que iria dar uma recolhida porque é complicado fazer isso sem nenhum tipo de remuneração - afinal, é o que a gente tem para oferecer. Mas para mim tem sido uma maneira de me motivar, tocar, praticar o violão, interpretar músicas que não interpretava há muito tempo... Como foi o caso do festival Canción Minuto.

A música sempre vai sobreviver.

https://www.instagram.com/p/B--22FzFNLg/

https://www.facebook.com/zerenatooficial/

Esse período pelo qual estamos passando irá afetar a tua maneira de compor?

O período vai trazer muitos ensinamentos e irá mudar nossa relação com tudo. Transformações que certamente irão refletir na música e na criação. Certamente quem trabalha com arte será influenciado por tudo que a gente tá vivendo.

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